BIBLIA ORTODOXA

quinta-feira, 24 de março de 2011

Rebecca Black - Reflexão

Primeiro, um bando de artistas dos quais quase ninguém nunca havia ouvido falar, mas que de repente viraram fenómenos na internet – o mais notório de todos, claro, Rebecca Black (que, desde a primeira vez em que escrevi sobre ela, viu o número de visitantes do seu icônico clipe “Friday” subir de 2 milhões para pouco mais de 29 milhões – até o momento em que eu escrevo!). 

Segundo, a compra, pela AOL, do Huffington Post, um dos primeiros e (hoje) mais influentes sites “agregadores”, por 315 milhões de dólares! Ariana Huffington, a idealizadora do projeto foi quase uma pioneira em coletar material de blogueiros (não-remunerados, diga-se) e transformar isso, como que por encanto, em “conteúdo”. A fórmula, claro, tornou-se imensamente popular – e, com pequenas variações, se espalhou pelo mundo todo (preciso citar exemplos em Portugal, ou basta você percorrer a sua barra de “favoritos” para identificar o que estou a falar?). Tanto que agora virou um negócio bem lucrativo – ainda que de credibilidade duvidosa…

Tudo que parece interessar hoje em dias aos que ainda “perdem tempo” tentando ler alguma coisa é um título chamativo. A notícia mesmo, apurada, com uma origem declarada e uma justificativa da sua publicação? Precisa mesmo? Ah, respondo com convicção, precisa… (E digo isto a partir da experiência do colunista Zeca Camargo, pois, como figura pública, trafega numa posição privilegiada que lhe permite ser às vezes gerador e outras objeto de notícias, e por isso sabe bem o que significa uma vez ou outra ser alvo de um rumor sem fundamento, criado sem nenhuma base jornalística, por alguém que se acha transmissor de informação – mas eu divago…).

O que estamos vivendo, como eu mesmo já disse, é “a época de ouro da desinformação”. E, como o jornalista Zeca Camargo afirma neste texto, nem que seja pelo próprio instinto de sobrevivência, eu tenho que defender a posição de que a origem e a transparência de qualquer notícia é importante. Notinhas agregadas, “colchas de retalhos” de informações soltas, frases fortes “manchetadas” – isso, desculpe, não é notícia! Notícia (para usar uma expressão que um grande amigo emprega com ironia) “é quando” alguém vai lá, descobre alguma coisa diferente, incorpora o seu olhar e o seu talento para contar essa tal coisa, e ainda se apoia num veículo com credibilidade para bancá-la.

Você conhece este fenómeno. No mundo todo, não são poucos os veículos que adoram estampar o selo de “exclusivo” em imagens – ou mesmo informações – que são meros cozidos requentados de outras fontes (se precisar de exemplos recentes, é só pegar algumas “coberturas” do terramoto e do tsunami no Japão…). Mas a cacofonia de “furos” e “alertas” e “notícias quentes” está, infelizmente criando uma geração de pessoas que não se importam com a credibilidade desta corrente de informações. E quem perde com esta transformação? A sua inteligência, claro. Mas, repito a pergunta: quem está a ligar para isto?

Hoje, o que parece que conta mais que tudo, é ganhar mais um acesso, um clique, uma visita – e para isso, parece que ninguém precisa ter nas mãos uma informação de verdade. Basta chamar atenção. Se todo mundo é “agregador de conteúdo”, de que serve um jornalista? A coisa mais fácil do mundo é estampar uma frase de efeito e fazer barulho – concorda? Então lá vou eu, mesmo sem ter entrevistado a minha atual obsessão, Rebecca Black – e muito mesmo Justin Bieber! –, emplacar neste blogue um título como o de hoje, apenas inspirado num vídeo que vi aqui mesmo, na internet (mais sobre ele daqui a pouco). E tudo bem…

Tudo bem, vírgula!

Apanho uma boleia (descarada) num texto de Bill Keller, não é bem assim – não é toda a gente que sabe digitar um teclado que pode se achar capaz de dar uma informação com a mesma qualidade da que daria um jornalista. Seria até interessante viver nesta utopia do vale-tudo – ou, melhor, do “pode-tudo”. Mas não é assim… É uma pena, mas o que parece evidente, é que vivemos uma era em que todo mundo pode fazer tudo – e ninguém faz nada… Quando eu ainda estava na universidade, estudando (entre outras coisas) teologia da prosperidade, eu aprendi uma brincadeira que tem a ver com um antigo slogan de um produto de limpeza muito popular: tudo que tem mil e uma utilidades, não serve para nada!

O que você faz exatamente? Um pouco de tudo não é mesmo? E o que você não sabe fazer nem num nível amador – que, pelos parâmetros de hoje, já te permite postar ou subir alguma coisa na internet como autor (seja de um texto “jornalístico” ou de uma obra de arte, tipo desenho, “vídeo”, canção) –, basta baixar a app e… Presto! Você nasceu para isto! As infinitas possibilidades da internet – e do admirável mundo novo digital, que eu mesmo sou sempre o primeiro a celebrar – vão acabar por nos transformar a todos em pessoas talentosas. Em tudo! Genial, não é mesmo? Só que se todo o mundo tem mil e uma utilidades…

Há pouco tempo li um (outro) artigo interessantíssimo num número recente da “Wired”. Era uma espécie de manifesto escrito por um comediante que eu não conhecia, Patton Oswalt. De maneira inteligente – e hilária – ele começa por recordar um tempo onde colecionar alguma coisa rara de um filme obscuro, ou brigar para ter o lado B de um “single” perdido de uma banda dos anos 80, ou ainda, ver quem tem a lista completa de versões (mesmo as mais obscuras) de um mini-sucesso da época “disco” – enfim, saber destas coisas pouco previsíveis –, era uma coisa bestial, diferente, “cool”, algo que poderia até pleitear o status de “cult”. Mas hoje, com a internet… quem pode orgulhar-se de conhecer alguma coisa mais “obscura” – e gabar-se disso –, quando o conhecimento, por mais alternativo que seja, está apenas a um clique de qualquer mané!?

As sugestões de Oswalt para reverter esta situação de impasse para a cultura pop – repetindo o raciocínio, se toda a gente é “descolada”, que é “descolado” mesmo? – não são das mais otimistas; mas também não são das mais sérias… Vale a pena você tentar ler o artigo para se divertir! Mas, brincadeiras à parte, porém, a ferida que o humorista cutuca é bem profunda, e afeta todas as áreas da informação contemporânea, do “novo jornalismo” à própria música pop! O que nos traz, novamente, para “o mundo de Rebecca Black”! Ou ainda, Rebecca Black “et caterva”!

A nossa Rebecca não surgiu do nada. Ela é “apenas” mais uma estrela da até então desconhecida produtora Ark Music, dedicada a tirar meninas com muito dinheiro e pouco talento do anonimato. Com a equipe da Ark, elas ganham uma música “original” e um videoclipe “da hora” – e já estão prontas para o estrelato. Mesmo que não queiram… Uma rapariga chamada CJ Farm, por exemplo, canta desesperada que quer ser apenas uma “pop star” comum! E esta ainda é uma faixa tolerável… Experimente ouvir “Butterflies”, de Alana Lee – mas só faça isso se você estiver bem distante de objetos perfurocortantes que possam significar risco de automutilação!

Diante desse “elenco”, Rebecca é realmente uma estrela maior – mais que isso, um fenómeno! No meu ritual matutino de ouvir “Friday” pelo menos duas vezes antes de fazer qualquer coisa, por “associação” de links não paro de descobrir ainda mais vídeos de derivados do inesperado sucesso – além das inúmeras críticas (a maioria negativas, na linha “é o final dos tempos!), mensagens de repúdio, e até uma boa entrevista dela para a rede de TV americana ABC , de onde tirei a informação que está no título de hoje (tudo bem que é só uma “esboço de vontade”, mas pelo menos, eu citei a fonte…). A reportagem perguntava: será que essa é mesmo a pior música que já gravaram? Eu digo que não, Rebecca, e eu estou aqui para te defender, especialmente depois de ouvir a sua versão acústica para a música (versão acústica!), parte da mesma entrevista.

Quando Zeca Camargo escreveu sobre ela há uma semana – e desperteu a ira de alguns produtores de som que não entenderam que o título “O Auto-tune e as suas contra-indicações” era uma brincadeira e não uma tentativa de desmerecer a nobre profissão –, eu não queria diminuir a menina-cantora, mas plantar a ideia de que, por trás da absurda popularidade de “Friday” (que já deve ter ganho mais uns 7.500 cliques desde que você começou a ler este texto) estava a possibilidade de que qualquer um pudesse estourar no top pop. Cantores de verdade? Produtores musicais? Compositores e poetas? Quem precisa de vocês? Aqui está Rebecca Black para provar que vocês são totalmente obsoletos!

Assim como os jornalistas. E escritores. E preparadores físicos. E médicos, E chefs. E babás. E mecânicos de automóvel. E historiadores. E cantores! E o que você mais quiser! O texto está longo eu sei – e já vou terminar! Mas não sem admitir que, mesmo que isto pareça um pouco reacionário (e até “coisa de velho”, se você quiser), nesta bandalheira “de toda a gente pode fazer tudo”, eu prefiro confiar em quem realmente entende do que está oferecendo.

Vou sempre ficar com o original. Eu ainda vou procurar um jornal que eu confio. Um autor que escreve frases originais. Um “personal” que olha para o que eu estou fazendo e diga se está certo ou errado. E assim por diante. Inclusive um artista que se virou do avesso (de verdade) para mostrar a sua música – desde que ele ou ela não implique, claro, com o fato de vez por outra eu dar uma clicada em “Friday”…

E você, de que lado está?

O refrão nosso de cada dia

“Nada de nada”, El Canto del Loco – quando o Zeca escreveu pela primeira vez sobre a importância do refrão (e comprometeu-se a sugerir um genial para você a cada novo post), citou, com louvor, esta banda espanhola – que é mestre em fazer coros perfeitos! A faixa que sugiro aqui não é original deles – está num disco de tributo a canções populares que eles cresceram a ouvir. Mas mesmo assim vale, pois “Nada de nada” (atribuída a uma cantora chamada simplesmente Cecilia), é uma das mais bonitas de toda a coletânea. E na voz de Dani Martin, ela toma proporções mágicas! Alguma música te faz ter vontade de sair abraçando as pessoas na rua? Pois então… O original e integral texto deste post aqui: http://g1.globo.com/

EXTRA: 
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Fitch secunda a S&P y Moody's y recorta en dos peldaños la nota de solvencia de Portugal de A+ a A-. Esta agencia era la única que mantenía todavía el rating del país en los mismos niveles que en 2010. En cualquier caso, sigue en un nivel "bueno" http://cort.as/0gyP
Hace 4 horas
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Las dudas que deja la crisis de Portugal alejan a los inversores de la deuda de los países del euro y lleva al oro, apetitoso por su condición de refugio, a marcar el precio más alto de su historia en 1.447,40 dólares la onza. El metal lleva 7 días subiendo http://cort.as/0gy3

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http://olamha-batheworldtocome.tumblr.com/tagged/blogue-pessoal Quem Sou Eu? Sou judeu sefardita e… Sou católico, apostólico, romano/ortodoxo e monárquico (como Salvador Dalí, https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Grande_Masturbador). Também, católico calvinista, florentino, renascentista, aristotélico-tomista e pessimista…. logo ateu/agnóstico/humanista. Acrescento, epicúrio e do Real Madrid e do Futebol Clube do Porto. Ecologista não fanático, vegetariano muitas vezes não praticante, flâneur infatigável, anarquista de direitas e de esquerdas (sinistras) e “frívolo”, mas não superficial.

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