BIBLIA ORTODOXA

sexta-feira, 4 de maio de 2012

UMA PERTINENTE REFLEXÃO SOBRE O ENCONTRO INTER-RELIGIOSO DE ASSIS/2011 AD






http://diariodaprofecia.blogspot.com/2011/10/bento-xvi-inclui-ateus-na-reuniao-de.html

O encontro inter-religioso, em Assis, despertou inúmeras preocupações naqueles que se recordam do escandaloso encontro de 1986. O atual Romano Pontífice, quando cardeal, não poupou críticas aos responsáveis pelas cenas de pecaminoso sincretismo e pelo favorecimento do indiferentismo.

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=87928

Ainda que o Papa João Paulo II, que o convocou e o presidiu, não possa ser diretamente responsabilizado pelos abusos - aliás seu magistério condena ambos os erros - passou à vista do mundo católico e não católico como o grande promotor de uma nova religião comum, para escândalo de uns e alegria de outros. Ademais nenhum papa pode colher apenas os louros dos eventos que promove, é mister que assuma os riscos e eventuais erros, bônus e ônus.


http://www.publico.pt/Mundo/um-dos-pais-da-constituicao-espanhola-abre-polemica-com-a-catalunha-1518637

O blog Messa in latino publicou uma carta-aberta ao Papa em que os signatários lhe pedem que desista do novo encontro. A tradução da mesma encontra-se no Fratres in unum. O blog italiano publicou, em seguida, uma resposta a este apelo, do padre italiano Alfredo Morselli, cuja tradução encontra-se abaixo.

Compartilho os argumentos do sacerdote italiano, ao mesmo tempo que não posso deixar de concordar com os signatários da carta-aberta. Ainda que, do ponto de vista teológico, a reunião de Assis não signifique o rompimento com o passado, não constitua uma ação contrária a Doutrina tradicional e não seja um ato mau em si, o evento será manipulado para dizer o contrário do que pretende o Santo Padre Bento XVI.

Ninguém espere a repetição das cenas grotescas de 1986, mas haverá gente de fora e de dentro da Igreja promovendo o sincretismo e o indiferentismo, sob o pretexto de agir na imitação do que faz o Papa. Enfim, a minha conclusão é semelhante a de Dom Morselli, não idêntica: é uma questão de juízo prudencial e ele cabe ao Papa, mas se não tenho medo propriamente, também não tenho qualquer entusiasmo.


Leia a carta no Frates e, em seguida, o artigo abaixo.

Santo Padre, eu não tenho medo!
Pe. Alfredo M. Morselli

Foi publicado no jornal Il Foglio, em 10 de janeiro de 2011, um preocupado apelo ao Santo Padre, relativo ao próximo encontro inter-religioso que se realizará em Assis no mês de outubro deste ano. Neste apelo, os autores (Francesco Agnolo, Lorenzo Bertocchi, Roberto de Mattei, Corrado Gnerre, Alessandro Gnocchi, Camillo Langone, Mario Palmaro, Luisella Scrosati, Katharina Stolz) exprimem diversas perplexidades sobre o evento em questão, e as suas preocupações.

Em primeiro lugar, pude constatar a serenidade e a correção formal da intervenção, assim como o respeito pelo Santo Padre manifestado na mesma. Considero positivo que o debate se desenvolva de tal maneira.

Tenho porém, em consciência, sérias razões para dissentir das conclusões dos muito estimados autores supramencionados, e tenho motivos para avaliar muito positivamente o próximo encontro inter-religioso de Assis. Com o auxílio da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, procurarei expor as razões mencionadas, não porque sejam minhas, mas porque me parecem ser as da Igreja.

O que me leva a saudar favoravelmente o próximo encontro de Assis?

O que me induz a considerar positivamente o evento de Assis é substancialmente uma frase de São Tomás, o qual ensina que, nos últimos tempos, o anticristo será adversário de todo homem religioso, ainda que seguidor de falsas religiões: "O anticristo se contrapõe a todas... as modalidades de compreender Deus", mesmo no caso em que Deus "se diga segundo uma opinião qualquer [como no caso dos falsos deuses dos pagãos, de cuja divindade está escrito] todos os deuses das nações são demônios" [1]

Estou convencido de que os motivos que levam o anticristo a se contrapor a toda religião são os mesmos que levam - obviamente em direção oposta e justa - Bento XVI a retornar, com a Igreja Católica, a Assis, nas pegadas de João Paulo II.

E agora passo a explicar o quanto afirmo.

A atual contingência histórica.

Encontramo-nos em uma fase da história do mundo onde - no que tange à religiosidade do homem - nos precipitamos num abismo profundíssimo e, em certos aspectos, jamais visto.

O antropólogo P. W. Schimidt, SDV [2], pôde provar cientificamente que no mundo não existe um povo primitivo naturalmente a-religioso e que não tenha qualquer tipo de referência a um único Deus supremo, portanto, que não seja de algum modo implicitamente monoteísta.


http://fratresinunum.com/2011/10/27/discurso-de-bento-xvi-no-encontro-inter-religioso-de-assis/


Também São Paulo, no areópago, pôde louvar os Atenienses por sua religiosidade: "Atenienses, vejo que, em tudo, sois muito religiosos" [3]. Para os Apóstolos bastava anunciar aos pagãos qual é o Deus verdadeiro entre tantos falsos, e explicar aos Hebreus que o Deus verdadeiro é também Trino, e que Cristo é Deus.

Mas, no século passado, no palco deste mundo, após longa gestação, elevou-se o ímpio grito: Deus está morto [4]. E este grito infectou milhares de pessoas, que vivem não somente no ateísmo prático, mas chegam a condenar todo fenômeno religioso.

Um importante sintoma desta patologia social foi a publicidade pró ateísmo nos ônibus de Londres, em outubro de 2008. Cartazes colocados nas laterais dos meios de transporte continham a frase: "There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life" (Provavelmente Deus não existe. Agora pare de se preocupar e aproveite sua vida) [5].

Baseado no que foi dito, encontramo-nos diante da necessidade de mostrar - não para praticar o sincretismo, mas exatamente para colocar as condições de poder escolher a verdadeira religião - que antes de tudo é preciso ser religiosos.

Eis o motivo pelo qual o anticristo não suportará nenhuma religião, nem mesmo as falsas, porque desejará cortar a árvore da Verdade pela raiz. A sua doutrina será: "Homens, não sejais religiosos".




http://irreligiosos.ning.com/forum/topics/criacao-de-uma-entidade?page=6&commentId=2626945%3AComment%3A34030&x=1#2626945Comment34030


A percepção do dever de ser religiosos, primeiro passo para a conversão do ateu.

Agora devemos fazer simplesmente aquilo que São Paulo e Santo Irineu chamavam recapitulação. Devolver ao mundo o Cristo Cabeça ( Instaurare omnia in Christo) percorrendo ao contrário aquele que fôra o caminho da perdição. A Igreja - se me permitem um exemplo - está colocando as pedrinhas a fim de que o Pequeno Polegar possa percorrer de volta o caminho da morte percorrido até os dias de hoje.

E a primeira indicação da Igreja, no confronto com o mundo, é hoje justamente: é preciso ser religiosos.

Da religião à fé.

Sem fé é impossível agradar a Deus [6], escreve São Paulo. Devemos também dizer que jamais a Igreja acreditou que, em caso de ignorância invencível, para salvar-se fosse necessário professar integralmente a religião católica [7].

Exemplar é o caso do centurião Cornélio, cujas orações - embora ele não fosse ainda cristão - foram agradáveis a Deus [8]: São Tomás diz que foram agradáveis porque ele tinha a fé implícita, a tal ponto que não se possa dizer que fosse infiel:

"Quanto ao centurião Cornélio se deve notar que ele não era infiel: se o fosse o seu agir não teria sido aceito por Deus, ao qual ninguém pode ser agradável sem a fé. Mas ele havia uma fé implícita, ainda não iluminada pela verdade evangélica. Eis porque lhe foi enviado São Pedro, para instruí-lo plenamente na fé" [9].

Em que consiste esta fé implícita: São Tomás não prescreveu um mínimo material (ainda que os teólogos tenham discutido bastante sobre este ponto), mas ensinou que a um mínimo material deve corresponder um máximo formal. Todo homem, para salvar-se, deve fazer tudo aquilo que pode para chegar à fé verdadeira [10].

A dinâmica do ato de fé.

O ato de fé é um ato humano, e portanto se pode reconhecer nele uma intenção, uma execução e uma fruição [11].

intenção da fé é dada pelo conhecimento e pela escolha de reportar-se ao fim (Deus), a execução é dada pelo conhecimento e pela escolha dos meios (os artigos do Credo), a fruição é dada pelo repouso das potências humanas implicadas no ato em questão no fim último (a vida sobrenatural do cristão).
No ato de fé, portanto, a escolha do fim coincide com o primeiro ato de religião, com o qual se reconhece a necessidade de um ser supremo e da total dependência dele; a escolha dos meios consiste em tomar consciência de que os artigos do Símbolo são credíveis (necessidade da apologética e dos preambula fidei!), e que portanto é preciso crer, e assim dar à fé um objeto conforme ao verdadeiro (a assim chamada fides quae, e não somente fides qua e nem mesmo somente sentimento religioso).

A fruição é dada por aquela experiência sobre a qual a Igreja canta nec lingua valet dicere, nec littera exprimere [12], quando "o homem se abandona todo a Deus" [13].

Por que Assis?

Hoje já não basta mais, como bastava até 100 anos atrás, indicar aos infiéis os meios a se escolher para crer (os artigos do Credo), mas é preciso reafirmar a todo o mundo a-religioso a necessidade de se reportar ao fim último; sem esta primeira disposição, não poderão jamais escolher os meios (a verdadeira religião).

Pio XI na Mortalium animos dizia que não se fizessem reuniões nas quais se pudesse pensar que se honra a Deus indiferentemente com qualquer tipo de culto: e condenava "a falsa teoria que supõe boas e louváveis todas as religiões, na medida em que todas, ainda que de modo diverso, manifestam e significam igualmente aquele sentimento a todos congênito pelo qual nos sentimos levados a Deus e ao consequente reconhecimento de seu domínio".




http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/manual-do-executivo-ingenuo/2011/05/26/sobre-ateus-crentes-e-agnosticos/


Assis é uma reunião por meio da qual o Papa indica ao mundo a necessidade de ser religiosos, convida os homens a serem religiosos na medida em que lhes é dado e eles podem (supõe-se, é claro, a boa fé), sem dizer que todas as religiões são boas e louváveis. É louvável a virtude de religião praticada do melhor modo que se pode, como o centurião Cornélio, não as falsas religiões enquanto tais. E, portanto, não há contradição entre o presente e o passado.

O escândalo.

O escândalo (ato que favorece a queda do próximo no pecado) deve ser evitada absolutamente quando é dado objetivamente (scandalum datum et acceptum), isto é, quando se trata de um ato já desonesto, que não exaure a malícia em si mesmo, mas provoca outros pecados.

O escândalo deve ser evitado igualmente na medida do possível, também quando é meramente recebido (mere receptum), isto é, quando não é um ato mau em si, mas pode induzir igualmente os fracos a pecar. Para ilustrar como se deve fazer de tudo para evitar este tipo de escândalo, costuma-se citar a frase de São Paulo: "Por isto, se um alimento escandaliza o meu irmão, não comerei jamais carne, para não escandalizar meu irmão" [14], ainda que comer carne sacrificada aos ídolos não seja pecado em si.

Mas os moralistas são concordes em admitir a liceidade do escândalo mere receptum, quando o efeito positivo é superior ao negativo, e se reconhece uma certa necessidade de realizar o ato, ainda que escandaloso para os pequenos.

Apliquemos agora a Assis estes princípios gerais.

Verificaram-se - sobretudo em 1986 - atos não somente escandalosos, mas também repugnantes e pecaminosos, que devem ser evitados no futuro (frangos sacrificados sobre o altar de Santa Clara segundo ritos tribais e a redoma com uma estátua de Buda colocada sobre o altar da Igreja de São Pedro, etc.). Mas estes atos se realizaram de forma totalmente desvinculado do magistério e das ações do Pontífice.

Eliminados estes atos, é lícito dar o suposto escândalo de Assis?

Visto que se trata, em última análise, de uma avaliação prudencial, ao fim cabe somente ao Papa decidir; o Papa é assistido pelo Espírito Santo também nas decisões práticas. É claro que não se poderá exigir uma definição para aceitar docilmente a decisão última, ou refugiar-se no aut aut "ou infalível ou livre discussão".

As pessoas não entendem?

O Cristianismo é uma realidade tal onde para converter as massas é preciso converter as pessoas uma a uma, e explicar-lhes as coisas uma de cada vez.

E como fazê-lo com a já famosa pobre freira que depois de Assis finalmente compreendeu que todas as religiões são iguais? Apressam-se a usá-la como probatio contra Assisim, mas é um pouco mais demorado - diria quase crucificante - explicar-lhe como são as coisas.

Que fazer então? Ou não fazemos nada porque a estória seria muito longa, ou então começamos logo, porque, quanto mais cedo se começa, mais cedo se termina.

O Céu - não porque houvesse necessidade, mas porque deseja tornar-nos de certo modo concausas da obra da Redenção - espera a nossa resposta. Que a Imaculada nos tome pela mão e nos faça chegar à escolha correta.

Stiatico di San Giorgio di Piano, 11 de janeiro de 2011 AD.

Notas
[1] “Dicitur autem Deus tripliciter. Primo naturaliter. Deut. VI, 4: audi, Israel, dominus Deus tuus, Deus unus est. Secundo opinative. Ps. XCV, 5: omnes dii gentium Daemonia. Tertio participative. Ps. LXXXI, 6: ego dixi: dii estis. Omnibus autem his se praeferet Antichristus.”; Super II Thes., cap. 2, l. 1.
[2] 1868–1954.
[3] At 17, 22
[4] Assim dizia Pio XII: "no curso destes últimos séculos tentou-se a desagregação intelectual, moral e social da unidade do organismo misterioso de Cristo. Desejou-se a natureza sem a graça; a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; e algumas vezes também a autoridade sem a liberdade. Este inimigo tornou-se sempre mais concreto, com uma audácia que Nos deixa estupefatos: Cristo sim, a Igreja não. Depois: Deus sim, Cristo não. E enfikm o grito ímpio: Deus está morto; ou melhor Deus jamais existiu. Eis a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre fundamentos que nós não hesitamos em apontar com o dedo como os principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus". All’Unione Uomini di Azione Cattolica (12.10.1952).
[5] Para ulteriores informações: http://news.bbc.co.uk/2/hi/7681914.stm.
[6] Hb 11, 6
[7] São Pio X, Catecismo Maior: "171 D. Mas quem se encontrasse, sem sua culpa, fora da Igreja, poderia salvar-se? R: Quem, encontrando-se sem sua culpa, ou seja, em boa fé, fora da Igreja, tivesse recebido o Batismo, ou dele tivesse o desejo ao menos implícito; buscasse ademais sinceramente a verdade e cumprisse a vontade de Deus como melhor pudesse; ainda que separado do corpo da Igreja, estaria unido à sua alma e portanto no caminho da salvação".
[8] At 10, 30-31: "Cornélio então responde: "Faz hoje quatro dias que eu estava a orar em minha casa, à hora nona, quando se pôs diante de mim um homem com vestes resplandescentes que disse: 'Cornélio, a tua oração foi atendida e Deus se lembrou de tuas esmolas'".
[9] "De Cornelio tamen sciendum est quod infidelis non erat, alioquin eius operatio accepta non fuisset deo, cui sine fide nullus potest placere. Habebat autem fidem implicitam, nondum manifestata evangelii veritate. Unde ut eum in fide plene instrueret, mittitur ad eum Petrus"; S Th. II II q. 10 a. 4 ad 3.
[10] "...etiam ad fidem habendam aliquis se praeparare potest per id quod in naturali ratione est; unde dicitur, quod si aliquis in barbaris natus nationibus, quod in se est faciat, deus sibi revelabit illud quod est necessarium ad salutem, vel inspirando, vel doctorem mittendo. Unde non oportet quod habitus fidei praecedat praeparationem ad gratiam gratum facientem; sed simul homo se praeparare potest ad fidem habendam, et ad alias virtutes et gratiam habendam"; In IV Sent., II, d. 28 q. 1, a. 4 ad 4.
[11] Um magistral estudo sobre estes aspectos do ato de fé encontra-se em A. Gardeil,La credibilité et l'Apologétique, Paris 1912.
[12] Hino litúrgico Iesu dulcis memoria.
[13] Concílio Ecumênico Vaticano II, Const. dogm. Dei Verbum, 5; cf. também São Pio X: "A fé [...] vincula todo o homem e o sujeita ao supremo Agente e Moderador"; Carta enc. Acerbo nimis, IV.
[14] 1 Cor 8, 13.

Tradução: OBLATVS


Maria Voce com o grã mestre budista Ajahn Thong - Tailândia 2010 AD





A PROFECIA DO ENCONTRO DE ASSIS



Encontro Inter-religioso de Assis, 1986
Tanto na nossa experiência cotidiana, quanto na tradição bíblica, comumente a profecia surge de quem está à margem das instituições e não de quem tem a função de governá-las. Por isso mesmo, precisamos valorizar a iniciativa profética do papa Bento XVI em convidar líderes religiosos das mais diversas tradições espirituais e até homens e mulheres não crentes para, nesta quinta-feira, 27, viverem juntos um dia de reflexão e de meditação sobre a paz e a justiça, em Assis. O papa fez isso para recordar os 25 anos do primeiro encontro desse tipo, promovido pelo papa João Paulo II. No 27 de outubro de 1986, em Assis, o papa reuniu em um encontro de oração mais de 200 representantes das mais diversas tradições espirituais. Na época, João Paulo II enfrentou pressões dentro do próprio Vaticano contra essa iniciativa. Ele a defendeu explicando que era um modo de motivar as religiões para se empenharem mais pela causa da paz e da justiça, que não é um assunto só social e político, mas profundamente espiritual. 


Agora, no atual contexto da Igreja e do mundo, retomar essa iniciativa deve ter sido mais difícil ainda para o papa Bento XVI. Em um recente pronunciamento à imprensa, publicado pelo Observatore Romano, o próprio secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Bertone, ao explicar o sentido desse encontro inter-religioso em Assis, levou mais tempo em falar dos riscos do relativismo religioso e do sincretismo que esse encontro precisa evitar, do que propriamente dos valores positivos do encontro. 


Vamos falar claro: sem dúvida, o ecumenismo e o diálogo entre as religiões dificilmente avançarão a partir apenas de encontros de cúpula, sem participação direta das bases. Também devemos reconhecer: esta forma de encontro proposto pelo papa ainda é muito tímida: os/as representantes das diversas religiões se reúnem no mesmo lugar (a basílica de São Francisco) para orar, mas oram separadamente. Entretanto, seja como for, o gesto do papa em convocar esse encontro e coordenar essa jornada inter-religiosa pela paz e pela justiça é sim uma profecia para as Igrejas e para o mundo atual. 


Em primeiro lugar, não teria sentido o papa convidar os líderes de outras religiões para orar, se ele pensasse que essas religiões não valem nada e que sua oração é inútil ou até errada. Ao convidar pastores evangélicos, patriarcas orientais e chefes de outras religiões, como o Dalai Lama, o grande rabino de Jerusalém, sheiks muçulmanos, líderes de tradições africanas e de outras tradições espirituais, para refletir juntos sobre a paz e estar juntos para orar, o papa faz um gesto de reconhecimento do valor espiritual dessas religiões e testemunha que é importante uni-las a serviço da paz e da justiça. Este dia de encontro de oração em Assis revela que, cristãos e não cristãos, são chamados a viver sua fé em um mundo pluralista e na convivência com outras formas de expressar a fé. Essa convivência não põe em risco nossa identidade, mas ao contrário, enriquece nossa espiritualidade. É esta a profecia contida nesse gesto de Assis. Embora limitado pelas conveniências diplomáticas do poder religioso e ainda tentado pelo medo de ousar mais em nome da fé, esse gesto do papa antecipa a possibilidade de que as tradições espirituais do mundo se unam para trabalhar efetivamente pela paz e pela justiça. Orar pela paz e pela justiça pode levar os religiosos a ajudar a humanidade a compreender que, para vencer as violências, as guerras e as injustiças, precisamos organizar o mundo de outro modo e a partir de outros critérios que não sejam o lucro e a competitividade. A Jornada inter-religiosa pela paz e pela justiça que neste 27 de outubro o papa Bento XVI coordena em Assis nos chama todos nós a sermos, como os líderes religiosos reunidos neste dia, “peregrinos da verdade, peregrinos da paz”.
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GORETE 2.0




Marcelo Barros
Monge beneditino e teólogo recifense, caminheiro do diálogo ecumênico e inter-religioso.
Autor de "Dom Helder Câmara: profeta para os nossos dias", entre outros quarenta livros. Participa do Grupo de Estudos sobre Diálogo do nosso Mestrado.
Acompanhe mais reflexões aqui, no seu novo blog.



A questão da fraude da divindade de Jesus é abordada com o início falso do versículo 3,16 da Primeira Carta a Timóteo (não é de Paulo). Onde está “D-us manifestou-se na carne”, deve estar “Aquele que se manifestou na carne”, logo… Curiosamente, a Bíblia que sigo diz: “Aquele que foi manifestado…” Será que esta Bíblia da Difusora Bíblica (chamada “dos Capuchinhos”) não é católica?


http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=48572



Numa reposta global, poderíamos dizer que, para o cristianismo católico, a Santa Bíblia é “apenas” uma das fontes maiores da revelação. A outra é a Sagrada Tradição. Mas isso poderia soar a desvalorização da Bíblia. 





- A Igreja nega o não que Jesus era judeu – e, consequentemente, que Cristo não era cristão?

Não percebo bem a pergunta. Jesus era judeu. Quem ousa a parvoíce de afirmar o contrário? Mas claro que houve quem o fizesse, diz Eco, aqui. “Cristo” é um título, uma expressão de fé, atribuída pelos discípulos a Jesus. Só os discípulos é que podem ser cristãos (Nietzsche dizia que só tinha existido um cristão e esse tinha morrido na cruz – mas essa é outra história). Pergunta inócua.



- A Igreja nega ou não nega que há fortes indícios na Bíblia de que Maria não era virgem?

O problema está no que se entende por virgem. Muitos teólogos católicos falam dos irmãos de Jesus, seja pelo lado da mãe, do pai ou de ambos, sem o dogma da virgindade estar em causa. O dogma, em si, é uma proclamação da Igreja também fundamentada com dados bíblicos.



- A Igreja nega ou não nega que existem textos fraudulentos no Novo Testamento?

Não nega. A minha Bíblia – a dos Capuchinhos – diz, por exemplo, que os melhores manuscritos não referem o episódio da adúltera prestes a ser apedrejada (ev. de João), o mesmo se passando com o final de Marcos. Ambos os textos são repudiados como fraudes no romance. Mas as Bíblias católicas já assumiram há muito tempo que não fazem parte dos manuscritos mais antigos e mais perto das fontes.




http://jbpsverdade.blogspot.com/bento-em-assis-condenou-o-uso-da-forca.html



- A Igreja nega ou não nega que nenhum dos autores do Novo Testamento conheceu pessoalmente o Jesus de carne e osso?
Não nega. É um dado banal dos estudos bíblicos. Fiquemos pelos evangelhos. Em resumo, sabe-se que foram escritos após o desaparecimento dos apóstolos. Se se perde a memória viva dos factos e mensagens, há que passá-los a escrito. Por isso se afirma que os Evangelhos são um dos primeiros frutos da Igreja. A Igreja é anterior aos Evangelhos escritos. De acordo com os costumes antigos (o conceito de verdade e autoria era outro), os textos foram atribuídos à autoridade de alguém que de facto não os escreveu, como os apóstolos Mateus ou João, tal como se atribuía a escrita do Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia) a Moisés, quando até num deles se descreve a sua morte. Para dizer que um texto foi inspirado, a Igreja teve basicamente três critérios, a apostolicidade do escrito (isto é, a relação com algum apóstolo), a ortodoxia (correspondência com aquilo em que se crê) e o uso litúrgico (uma nas celebrações dos crentes). Daí que tenham sido declarados canónicos quatro evangelhos no meio de dezenas de outros.


Especial Artigo Reinaldo Azevedo
Que Deus é este?
"Em Auschwitz, no Gulag ou em Darfur, vê-se, sem dúvida,
a dimensão trágica da liberdade: a escolha do Mal. E isso
quer dizer, sim, a renúncia a Deus. Mas também se
assiste à dramática renúncia ao homem"
Boa parte das nações e dos homens celebra, nesta semana, o nascimento do Cristo, e uma vez mais nos perguntamos, e o faremos eternidade afora: qual é o lugar de Deus num mundo de iniqüidades? Até quando há de permitir tamanha luta entre o Bem e o Mal? Até Ele fechou os olhos diante das vítimas do nazismo em Auschwitz, dos soviéticos que pereceram no Gulag, da fome dizimando milhões depois da revolução chinesa? E hoje, "Senhor Deus dos Desgraçados" (como O chamou o poeta Castro Alves)? Darfur, a África Subsaariana, o Oriente Médio... Então não vê o triunfo do horror, da morte e da fúria? Por que um Deus inerme, se é mesmo Deus, diante das "espectrais procissões de braços estendidos", como escreveu Carlos Drummond de Andrade? Que Deus é este, olímpico também diante dos indivíduos? Olhemos a tristeza dos becos escuros e sujos do mundo, onde um homem acaba de fechar os olhos pela última vez, levando estampada na retina a imagem de seu sonho – pequenino e, ainda assim, frustrado...
Até quando haveremos de honrá-Lo com nossa dor, com nossas chagas, com nosso sofrimento? Até quando pessoas miseráveis, anônimas, rejeitadas até pela morte, murcharão aos poucos na sua insignificância, fazendo o inventário de suas pequenas solidões, colecionando tudo o que não têm – e o que é pior: nem se revoltam? Se Ele realmente nos criou, por que nos fez essa coisa tão lastimável como espécie e como espécimes? Se ao menos tirasse de nosso coração os anseios, os desejos, para que aprendêssemos a ser pedra, a ser árvore, a ser bicho entre bichos... Mas nem isso. Somos uns macacos pelados, plenos de fúrias e delicadezas (e estas nos doem mais do que aquelas), a vagar com a cruz nos ombros e a memória em carne viva. Se a nossa alma é mesmo imortal, por que lamentamos tanto a morte, como observou o latino Lucrécio (séc. I a.C.)? Se há um Deus, por que Ele não nos dá tudo aquilo que um mundo sem Deus nos sonega?
Galeria Doria Pamphilj/divulgação
Vida e arte
As cenas das mulheres de Darfur fugindo com suas crianças, empurradas pela barbárie, remetem, é inevitável, à fuga de Maria e do Menino Jesus para o Egito, retratada por Caravaggio (1571-1610)
Evito, leitor, tratar aqui do mistério da fé, que poderia, sim, responder a algumas perplexidades. O que me interessa neste texto é a mensagem do Cristo como uma ética entre pessoas, povos e até religiões. Não pretendo, com isso, solapar a dimensão mística do Salvador, mas dar relevo a sua dimensão humana. O cristianismo é o inequívoco fundador do humanismo moderno porque é o criador do homem universal, de quem nada se exigia de prévio para reivindicar a condição de filho de Deus e irmão dos demais homens. É o fundamento religioso do que, no mundo laico, é o princípio da democracia contemporânea. Não por acaso, a chamada "civilização ocidental" é entendida, nos seus valores essenciais, como "democrática" e "cristã". Isso tudo é história, não gosto ou crença.
Falo das iniqüidades porque é com elas que se costuma contrastar a eventual existência de uma ordem divina. Segundo essa perspectiva, se o Mal subsiste, então não pode haver um Deus, que só seria compatível com o Bem perpétuo. Ocorre que isso tiraria dos nossos ombros o peso das escolhas, a responsabilidade do discernimento, a necessidade de uma ética. Nesse caso, o homem só seria viável se isolado no Paraíso, imerso numa natureza necessariamente benfazeja e generosa. O cristianismo – assim como as demais religiões (e também a ciência) – existe é no mundo das imperfeições, no mundo dos homens. Contestar a existência de Deus segundo esses termos corresponde a acenar para uma felicidade perpétua só possível num tempo mítico. E as religiões são histórias encarnadas, humanas.
Em Auschwitz, no Gulag ou em Darfur, vê-se, sem dúvida, a dimensão trágica da liberdade: a escolha do Mal. E isso quer dizer, sim, a renúncia a Deus. Mas também se assiste à dramática renúncia ao homem. Esperavam talvez que se dissesse aqui que o Mal Absoluto decorre da deposição da Cruz em favor de alguma outra crença ou convicção. A piedade cristã certamente se ausentou de todos esses palcos da barbárie. Mas, com ela, entrou em falência a Razão, humana e salvadora.
Fé e Razão são categorias opostas, mas nasceram ao mesmo tempo e de um mesmo esforço: entender o mundo, estabelecendo uma hierarquia de valores que possa ser por todos interiorizada. As cenas das mulheres de Darfur fugindo com suas crianças, empurradas pela barbárie, remetem, é inevitável, à fuga de Maria e do Menino Jesus para o Egito, retratada por Caravaggio (1571-1610) na imagem que ilustra este texto – o carpinteiro José segura a partitura para o anjo. As representações dessa passagem, pouco importam pintor ou escola, nunca são tristes (esta vem até com música), ainda que se conheça o desfecho da história. É o cuidado materno, símbolo praticamente universal do amor de salvação, sobrepondo-se à violência irracional que o persegue.
Nazismo, comunismo, tribalismos contemporâneos tornados ideologias... São movimentos, cada um praticando o horror a seu próprio modo, que destruíram e que destroem, sem dúvida, a autoridade divina. Mas nenhum deles triunfou sem a destruição, também, da autoridade humana, subvertendo os valores da Razão (afinal, acreditamos que ela busca o Bem) e, para os cristãos, a santidade da vida. Todas as irrupções revolucionárias destruíram os valores que as animaram, como Saturno engolindo os próprios filhos. O progresso está com os que conservam o mundo, reformando-o.
Pedem-me que prove que um mundo com Deus é melhor do que um mundo sem Deus? Se nos pedissem, observou Chesterton (1874-1936), pensador católico inglês, para provar que a civilização é melhor do que a selvageria, olharíamos ao redor um tanto desesperados e conseguiríamos, no máximo, ser estupidamente parciais e reducionistas: "Ah, na civilização, há livros, estantes, computador..." Querem ver? "Prove, articulista, que o estado de direito, que segue os ritos processuais, é mais justo do que os tribunais populares." E haveria uma grande chance de a civilização do estado de direito parecer mais ineficiente, mais fraca, do que a barbárie do tribunal popular. Há casos em que é mais fácil exibir cabeças do que provas. A convicção plena, às vezes, é um tanto desamparada.
Este artigo não trata do mistério da fé, mas da força da esperança, que é o cerne da mensagem cristã, como queria o apóstolo Paulo: "É na esperança que somos salvos". O que ganha quem se esforça para roubá-la do homem, fale em nome da Razão, da Natureza ou de algum outro Ente maiúsculo qualquer? E trato da esperança nos dois sentidos possíveis da palavra: o que tenta despertar os homens para a fraternidade universal, com todas as suas implicações morais, e o que acena para a vida eterna. O ladrão de esperanças não leva nada que lhe seja útil e ainda nos torna mais pobres de anseios.
O cristianismo já foi acusado de morbidamente triste, avesso à felicidade e ao prazer de viver, e também de ópio das massas, cobrindo a realidade com o véu de uma fantasia conformista, que as impedia de ver a verdade. Ao pregar o perdão, dizem, é filosofia da tibieza; ao reafirmar a autoridade divina, acusam, é autoritário. Pouco afeito à subversão da autoridade humana, apontam seu servilismo; ao acenar com o reino de Deus, sua ambição desmedida. Em meio a tantos opostos, subsiste como uma promessa, mas também como disciplina vivida, que não foge à luta.
Precisamos do Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror. Sem essa certeza, Darfur – a guerra do forte contra o indefeso, da criança contra o fuzil, do bruto contra a mulher –, uma tragédia que o mundo ignora, seria ainda mais insuportável.


O politeísmo de um Deus só
"Os homens estavam acostumados a se relacionar
com deuses, no plural. Foi a própria Igreja quem
estimulou esse caminho de mediação entre o homem
e a crença cristã por meio da 'santidade'. Ou seja,
emprestou ao seu monoteísmo uma característica
politeísta, para angariar um maior número de adeptos"
Os santos católicos – e coloquemos de lado, aqui, o que é matéria de fé para nos atermos à conformação das mentalidades religiosas – exercem um papel semelhante àquele desempenhado pelos deuses no paganismo clássico. Há até mesmo um "Olimpo" católico, em que vigora uma rígida hierarquia. Eles são produtos e instrumentos de uma permanente adaptação do cristianismo às culturas com as quais foi se relacionando e disputando a hegemonia. Nesse processo, o catolicismo tentou preservar um núcleo doutrinário que está longe de ser plenamente compreendido sem o amparo de uma complexa cultura filosófica. E nisso não se distingue de nenhuma outra religião: todas elas tiveram e têm seus sacerdotes e seus intérpretes.
A Igreja Católica conta hoje com 33 Doutores, seus "deuses" maiores, todos eles santos, que se tornaram notáveis graças a sua entrega à vida religiosa e por sua produção doutrinária. Destes, quatro ocupam um lugar especial: Santo Agostinho (354-430), Santo Ambrósio (340-397), São Jerônimo (347-420) e São Gregório Magno (540-604). Eu reivindicaria um quinto: Santo Tomás de Aquino (1225-1274), um gigante da teologia e da filosofia. Se um dia você quiser ao menos uma explicação plausível, inteligente, culta, que concilia a fé e a razão, a crença e a ciência, leia o que for possível ler da Suma Teológica, de Santo Tomás. Esse catolicismo dos Doutores foi fundamental para consolidar o aparelho da Igreja – sem o qual não haveria o resto –, mas ele só conta parte da história.
As quatro "divindades" de primeira grandeza, não por acaso, se dedicaram, de alguma forma, a sustentar a existência da Santíssima Trindade, manifestações distintas – Pai, Filho e Espírito Santo – de um só Deus e feitas da mesma substância. Observe: essa questão não está posta nos Evangelhos. Jesus Cristo não se atreveu a explicá-la. Ela foi adquirindo importância capital na Igreja à medida que esta se expandia e se confundia com o próprio poder secular, terreno – paralelamente ao qual, se bem se lembra, havia nascido: o Messias não queria saber dos assuntos que eram de César; o reino de seu Pai não era deste mundo.
Mas o da Igreja Católica era. E sua teologia pode ser acusada de tudo, menos de ser simples ou simplista. Tanto quanto um grego ou romano comuns conheciam pouco da cosmogonia pagã, um cristão do povo pouco entendia desse Deus a um só tempo tripartido e uno, matéria de acalorados debates teológicos. Ele não bastava para responder a todas as angústias humanas. Observe que o monoteísmo havia encontrado a sua tradução mais acabada – o judaísmo – num povo minoritário e dominado. E nada ocupado em seduzir outras culturas. Os homens estavam acostumados a se relacionar com deuses, no plural. Foi a própria Igreja, desde o seu primeiro mártir – Santo Estêvão –, quem estimulou esse caminho da mediação entre o homem e a crença cristã por meio da "santidade". Ou seja, emprestou ao seu monoteísmo uma característica politeísta, para angariar um maior número de adeptos.
Cada dia no ano, por exemplo, é dedicado a um santo – e, às vezes, a mais de um. Contam-se, pois, mais de 365 "divindades" que servem de intermediárias entre a vontade de Deus e os desejos dos homens. A exemplo de frei Galvão, são inúmeros os casos em que o culto popular precede o reconhecimento oficial da Igreja. Padre Cícero, por exemplo, cuja intercessão miraculosa não é reconhecida, tem, não obstante, seu culto tolerado. Quando o aparelho resiste ao fato consumado, a população erige seus próprios deuses. O sentido da santidade é conferir um lugar especial aos cristãos que viveram plenamente o Evangelho e, por essa razão, foram distinguidos com a capacidade de operar um evento miraculoso, antes só a Deus, em qualquer uma de suas formas, reservado.
Não foi, por exemplo, a Igreja a fazer de São Judas Tadeu, um dos apóstolos, o "Santo das causas difíceis" – "impossíveis", em algumas versões. Foram os fiéis. Nada em sua biografia justifica o epíteto. Santo Antônio é conhecido por dois cultos populares: o pão distribuído pelos crentes aos pobres, e isso se explica por sua vida dedicada à caridade, mas também por ser o santo casamenteiro, o que se deve inteiramente à tradição não teológica. Na iconografia popular, Santa Luzia, que protege contra doenças oculares, traz os olhos arrancados num prato. Uma das orações a ela dedicadas refere-se ao episódio, provavelmente falso.
A semelhança entre os santos católicos e o politeísmo greco-romano se dá em meio a diferenças nada desprezíveis. Os deuses pagãos eram exemplos das virtudes do homem, mas também de seus defeitos: mostravam-se egoístas, ciumentos, violentos e injustos. Já os católicos são encarnações da renúncia e do sacrifício. Os pagãos expõem os limites humanos; os católicos buscam ultrapassá-los. Os primeiros decidem entre eles o destino dos mortais e fazem valer a sua sentença; os outros são um exemplo de retidão, um norte ético.
Falou-se aqui de semelhanças e se evidenciam diferenças? Nos dois casos, visões de mundo complexas – tanto a pagã como a católica – encontram nessas "divindades" canais de expressão para se comunicar com o homem comum e lhe fazer duas ofertas sem as quais não existe uma religião: uma idéia de totalidade ("o mundo é assim") e a superação da morte. Aqui uma observação rápida: "superar a morte" pode compreender tanto a promessa da imortalidade da alma – ou a vida eterna – quanto a educação para um fim decoroso, integrando-se a uma espécie de cosmos universal.
Estudiosos que se dedicaram a comparar religiões diversas encontram nelas elementos comuns que a história sempre pode explicar. Quer um exemplo corriqueiro? A luta essencial do homem, até agora, se deu contra a ditadura da natureza, e é preciso garantir o pão para que se tenha espírito. Toda religião tem, por exemplo, alguma forma de celebrar a colheita. Tanto quanto na natureza, no mundo da cultura nada se perde. Tudo se transforma – ou se transmuda.
Para o crente, só a revelação interessa. Para quem vê nas religiões também um elemento da cultura, elas constituem uma das teorias do conhecimento. "Primus in orbe deos fecit timor": "Foi o medo que primeiro fez os deuses", escreveu o poeta latino Estácio (45-96). Ele não foi o único antigo a duvidar das divindades e da imortalidade da alma. A militância anti-religiosa é tão antiga quanto a religião. O mais antigo erro que o pensamento cético costuma cometer é justamente este: supor que as religiões existem para explicar o que o homem não pode compreender racionalmente.
As religiões seriam, assim, uma construção negativa, entranhada na ignorância, que tenderia a desaparecer, ou a resistir como aberração, à medida que avançasse o pensamento científico. O caso é bem outro. Elas se ocupam do que na vida é corriqueiro, regular, não dos eventos excepcionais. Quase todas elas, é fato, são dotadas de alguma escatologia, do evento finalista, que remete ao fim dos tempos. Mas isso costuma ficar fora do culto cotidiano. Não serve para organizar a vida.
Quando Bento XVI formalizar a santidade de frei Galvão, o intérprete privilegiado dos Doutores estará abrindo, de novo, as portas da Igreja àquela humanidade intercessora que dá vida à doutrina. Pode não provar a existência de Deus, mas prova a existência da história. E é ela que importa aqui. Os marxistas quiseram a religião como "o ópio do povo", ao que lhes respondeu, ainda que com outras palavras, o intelectual francês Raymond Aron (1905-1983): "Certo, mas nenhuma outra doutrina criou no homem, como o marxismo, tal ilusão da onipotência. Por isso, ele é o ópio dos intelectuais". As ambições de Deus são mais modestas...

O pastor e o pensador
"O pastor escreveu uma encíclica para exaltar
a ‘oração, o agir, o sofrer e o Juízo (Final)como
lugares da aprendizagem da esperança’. O pensador
nos convida a pesar as conseqüências de um mundo
sem Deus, aquele no qual tudo é permitido"
O papa Bento XVI tornou pública, no dia 30 do mês passado, a segunda encíclica de seu pontificado, Spe salvi, expressão resumida da frase de São Paulo aos romanos Spe salvi facti sumus: é na esperança que fomos salvos. Trata-se, inequivocamente, do texto de um pastor, chefe máximo de uma igreja, mas é também a reflexão de um pensador contemporâneo. O pastor entende os motivos que levam o homem, "expulso do paraíso terrestre", a substituir a "fé em Jesus Cristo" pela "fé no progresso". O pensador considera dois momentos em que essa substituição se fez história – a Revolução Francesa (1789) e o socialismo – e aponta o erro fundamental do teórico comunista alemão Karl Marx (1818-1883): "esqueceu o homem e a sua liberdade". O papa não critica o marxismo como uma ameaça presente, mas como a expressão máxima de um risco permanente.
O pastor escreveu uma encíclica para exaltar a "oração, o agir, o sofrer e o Juízo (Final) como lugares da aprendizagem da esperança". O pensador nos convida a pesar as conseqüências de um mundo sem Deus, aquele no qual tudo é permitido. O pastor – sem dúvida, um bom fundamentalista – vai ao fundamento de sua crença e recupera a importância da "parúsia", que é a segunda vinda do Messias (voltarei a essa palavra). O pensador dialoga com os agnósticos e os ateus e, na prática, os incita a considerar a dimensão religiosa um dado da cultura ao menos – sem deixar de declarar a supremacia da fé, tomada como sinônimo da esperança.
Seja por conta da crítica severa ao marxismo, seja por causa da caracterização dualista que faz do progresso – "em mãos erradas (...), tornou-se um progresso terrível no mal" –, não faltará quem veja nas palavras de Bento XVI a expressão de um insofismável reacionarismo. Será? Segundo o papa, a ditadura do proletariado, imaginada por Marx como uma etapa necessária do comunismo futuro, não deu à luz um mundo sadio, "deixando atrás de si uma destruição desoladora". Alguém se atreve a negar? E Bento XVI vai além: "(Marx) esqueceu que o homem permanece sempre homem. (...) Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal. Pensava que, uma vez colocada em ordem a economia, tudo se arranjaria. O seu verdadeiro erro é o materialismo: de fato, o homem não é só o produto de condições econômicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições econômicas favoráveis".
Alessia Giuliani/AFP
O papa Bento XVI: crítica ao "reino de Deus sem Deus", oferecido pelo materialismo e pela ciência

Entenda-se: Bento XVI não está ressuscitando a Guerra Fria, a disputa pela hegemonia mundial entre o capitalismo e o socialismo. Essa batalha já foi vencida pela civilização do óbvio no século passado, e a economia de mercado triunfou como atributo ou da Criação ou do progresso natural da humanidade – cada um escolha a causa que lhe parecer melhor. O que o papa faz é tomar o marxismo como exemplo máximo de uma visão totalizante do ser, em que a ética se subordina apenas à dimensão material da vida. Certamente não é a única corrente de pensamento a fazê-lo, mas se tornou a mais influente e convincente das visões materialistas. Escreve o papa: "Se ao progresso técnico não corresponde um progresso na formação ética do homem, no crescimento do homem interior, então aquele não é um progresso, mas uma ameaça para o homem e para o mundo".

Bento XVI critica, assim, a visão de mundo segundo a qual o bem-estar humano é mera decorrência das estruturas, "por mais válidas que sejam". Observa que a "liberdade necessita de uma convicção". Afinal, se as condições materiais do indivíduo garantissem, por si mesmas, a sua felicidade, forçoso seria concluir que estaria abolida toda escolha – e, por conseqüência, a liberdade. Os totalitarismos do século passado e suas manifestações remanescentes neste século jamais se assumiram como tais. Em todos eles, sempre há uma retórica meritória que apela à reforma das estruturas em nome do bem comum. Mas com quais valores se pretendeu e se pretende construir esse novo homem? E o papa recorre ao filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) para responder: "Não há dúvida de que um ‘reino de Deus’ realizado sem Deus – e, por conseguinte, um reino somente de homem – resolve-se, inevitavelmente, no ‘fim perverso’ de todas as coisas (...). Já o vimos e vemo-lo sempre de novo".
O "reino de Deus sem Deus" é uma referência também à ciência. Chega a parecer um tanto estranho e talvez vire motivo de pilhéria que o papa, em 2007, aponte um "equívoco" do filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), passados quase 400 anos de sua morte. E ele o faz. Trata-se de um pretexto para contestar que o homem possa ser salvo apenas pelo conhecimento científico, sem o concurso da fé. Nesse momento da encíclica (parágrafo 25), Bento XVI está se preparando para admoestar também os cristãos.
Não é segredo que a pesquisa, especialmente no campo da genética, se confronta com limites que são de natureza ética, e a religião, o catolicismo em particular, tem sido a porta-voz do que costuma ser caracterizado na imprensa e no debate público como a expressão de um preconceito, de um "medievalismo". Não quero fugir ao propósito deste texto, que é o de apresentar as linhas gerais de um documento de cinqüenta parágrafos e 18.822 palavras, para abrir uma frente particular de debate. Observo apenas que, para Bento XVI, "a ciência pode contribuir muito para a humanização do mundo e dos povos", mas "também pode destruir o homem e o mundo se não for orientada por forças que estão fora dela".
Collection Roger-Viollet/AFP
O teórico comunista Karl Marx: a ditadura do proletariado deixou atrás de si "uma destruição desoladora"

Cumpre perguntar: o que são essas "forças fora da ciência" que devem orientá-la, assim como devem orientar a política e a vida cotidiana? Bento XVI observa que, para um cristão, "o homem é redimido pelo amor", mas este também não basta, porque a mortalidade evidencia a fragilidade dessa resposta. E o papa exalta, então, o outro amor, o "incondicionado". E convida o leitor ao mesmo fervor de São Paulo: "Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rom 8,38-39).

Disse que voltaria à palavra "parúsia", a segunda vinda do Messias, e que Bento XVI fazia uma admoestação também aos cristãos. Esses dois fios soltos do texto se enlaçam agora. O papa reitera que a promessa do retorno de Jesus – "de novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos" – é parte "central" do "grande Credo" da Igreja. E, portanto, cabe a quem crê viver a certeza da justiça de Deus. A evolução da iconografia foi tornando o Juízo Final "ameaçador e lúgubre", mas deve ser a grande fonte de esperança de um cristão.
Ocorre que a força salvífica da fé, aponta Bento XVI, tem de ser coletiva. E aqui está a admoestação: "Devemos constatar também que o cristianismo moderno, diante dos sucessos da ciência na progressiva estruturação do mundo, tinha se concentrado em grande parte somente sobre o indivíduo e a sua salvação. Desse modo, restringiu o horizonte da sua esperança e não reconheceu suficientemente sequer a grandeza da sua tarefa".
Finalmente, cumpre indagar, juntamente com os ateus – dos quais o marxismo foi e é a expressão mais influente: num mundo onde as injustiças são tão candentes e onde os inocentes padecem as maiores crueldades, é possível falar de um Bom Deus? Esse Deus tem de ser contestado em nome da moral, não é? E o papa responde: "Se, diante do sofrimento deste mundo, o protesto contra Deus é compreensível, a pretensão de a humanidade poder e dever fazer aquilo que nenhum Deus faz nem é capaz de fazer é presunçosa e intrinsecamente não verdadeira. Não é por acaso que dessa premissa tenham resultado as maiores crueldades e violações da justiça".
Além ou aquém do Mistério, a fé nesse Deus de que nos fala Bento XVI é também uma garantia dos direitos essenciais do homem. O cristianismo, afinal, é um humanismo. É o que diz o pensador. É o que diz o pastor.







Igreja Católica diz o óbvio e gera protestos. Crime do papa: reafirmar a sua fé

A gritaria foi imediata. O Vaticano decidiu oficializar cinco respostas a questões relativas à doutrina católica que estavam postas desde o Concilio Vaticano 2º (1962-1965). Eu as reproduzirei abaixo, com comentários. Os críticos acusam o papa de ter jogado um balde d’água fria no ecumenismo, o que me parece tolice. Para mim e para muitos que têm algum interesse em religião independentemente da crença, não há nas tais respostas qualquer surpresa. Espantado eu ficaria se a Igreja Católica, a exemplo do que fazem outras religiões, não advogasse que o seu é o caminho mais reto para a salvação. Alguém faz diferente? Mas é claro que essa questão não encerra a conversa.
O que revoltou sobretudo as denominações protestantes é o fato de a Igreja Católica declarar-se a verdadeira herdeira da Igreja de Cristo. Bem, goste-se ou não, há uma linha histórica de continuidade que, com mais ou menos tropeços, liga Bento 16 a Pedro. Não é uma questão de gosto, mas de fato. As respostas, ademais, fazem alusões a passagens de outros documentos da própria Igreja Católica.
Em 2000, o cardeal Josef Ratzinger, agora Bento 16, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que responde pelo documento, já havia afirmado na declaração “Dominus Iesus” que havia um emprego equivocado do termo “Igrejas irmãs”. Vamos às perguntas e respostas, que seguem em vermelho, com comentários meus em azul. Nota: o português é o da tradução oficial do Vaticano, que segue a gramática de Portugal.
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
RESPOSTAS A QUESTÕES RELATIVAS A ALGUNS ASPECTOS 
DA DOUTRINA SOBRE A IGREJA
INTRODUÇÃO
É de todos conhecida a importância que teve o Concílio Vaticano II para um conhecimento mais profundo da eclesiologia católica, quer com a Constituição dogmática Lumen gentium quer com os Decretos sobre o Ecumenismo (Unitatis redintegratio) e sobre as Igrejas Orientais (Orientalium Ecclesiarum). Muito oportunamente, também os Sumos Pontífices acharam por bem aprofundar a questão, atendendo sobretudo à sua aplicação concreta: assim, Paulo VI com a Carta encíclica Ecclesiam suam (1964) e João Paulo II com a Carta encíclica Ut unum sint (1995).
O sucessivo trabalho dos teólogos, tendente a ilustrar com maior profundidade os múltiplos aspectos da eclesiosologia, levou à produção de uma vasta literatura na matéria. Mas, se o tema se revelou deveras fecundo, foi também necessário proceder a algumas chamadas de atenção e esclarecimentos, como aconteceu com a Declaração Mysterium Ecclesiae (1973), a Carta aos Bispos da Igreja Católica Communionis notio (1992) e a Declaração Dominus Iesus (2000), todas elas promulgadas pela Congregação para a Doutrina da Fé.
A complexidade estrutural do tema, bem como a novidade de muitas afirmações, continuam a alimentar a reflexão teológica, nem sempre imune de desvios geradores de dúvidas, a que esta Congregação tem prestado solícita atenção. Daí que, tendo presente a doutrina íntegra e global sobre a Igreja, entendeu ela dar com clareza a genuína interpretação de algumas afirmações eclesiológicas do Magistério, por forma a que o correcto debate teológico não seja induzido em erro, por motivos de ambiguidade.
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES
Primeira questão: Terá o Concílio Ecuménico Vaticano II modificado a precedente doutrina sobre a Igreja?
Resposta - O Concílio Ecuménico Vaticano II não quis modificar essa doutrina nem se deve afirmar que a tenha mudado; apenas quis desenvolvê-la, aprofundá-la e expô-la com maior fecundidade.
Foi quanto João XXIII claramente afirmou no início do Concílio. Paulo VI repetiu-o e assim se exprimiu no acto de promulgação da Constituição Lumen gentium: “Não pode haver melhor comentário para esta promulgação do que afirmar que, com ela, a doutrina transmitida não se modifica minimamente. O que Cristo quer, também nós o queremos. O que era manteve-se. O que a Igreja ensinou durante séculos, também nós o ensinamos. Só que o que antes era perceptível apenas a nível de vida, agora também se exprime claramente a nível de doutrina; o que até agora era objecto de reflexão, de debate e, em parte, até de controvérsia, agora tem uma formulação doutrinal segura”. Também os Bispos repetidamente manifestaram e seguiram essa mesma intenção.
A primeira pergunta já elimina na raiz a celeuma. A Congregação para A Doutrina da Fé não está introduzindo nenhuma inovação ou fazendo releitura. Apenas elimina dúvidas. Cita a Lumen gentium e explicita o que lá está e deveria ser óbvio: os católicos consideram que a “doutrina não se modifica minimamente”. E isso significava, sob João 23 ou Bento 16, que os católicos consideram a sua igreja a única e verdadeira herdeira da igreja de Cristo. Nota: ninguém é obrigado a acreditar nisso.
Mais: em 11 de outubro de 1962, escreveu João 23: “o Concílio (…) quer transmitir uma doutrina católica íntegra e imutável, não distorcida…Impõe-se todavia que, nos dias de hoje, a doutrina cristã, na sua inteireza e sem mutilações, seja por todos acolhida com novo entusiasmo e com serena e pacífica adesão …É necessário que, como todos os sinceros promotores da realidade cristã, católica e apostólica veementemente desejam, a mesma doutrina seja conhecida de forma cada vez mais ampla e profunda… É necessário que essa doutrina, certa e imutável, a que é devido fiel obséquio, seja estudada e exposta em sintonia com as exigências do nosso tempo. Uma coisa é o próprio depositum fidei, ou seja, as verdades contidas na nossa veneranda tradição, e uma outra é o modo como são enunciadas, sempre porém com os mesmos significado e sentido.”
O que mudou?
Segunda questão: Como deve entender-se a afirmação de que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica?
Resposta - Cristo “constituiu sobre a terra” uma única Igreja e instituiu-a como “grupo visível e comunidade espiritual” (1), que desde a sua origem e no curso da história sempre existe e existirá, e na qual só permaneceram e permanecerão todos os elementos por Ele instituídos. “Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos como sendo una, santa, católica e apostólica […]. Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”.
Na Constituição dogmática Lumen gentium 8, subsistência é esta perene continuidade histórica e a permanência de todos os elementos instituídos por Cristo na Igreja católica, na qual concretamente se encontra a Igreja de Cristo sobre esta terra.
Enquanto, segundo a doutrina católica, é correcto afirmar que, nas Igrejas e nas comunidades eclesiais ainda não em plena comunhão com a Igreja católica, a Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e de verdade nelas existentes, já a palavra “subsiste” só pode ser atribuída exclusivamente à única Igreja católica, uma vez que precisamente se refere à nota da unidade professada nos símbolos da fé (Creio… na Igreja “una”), subsistindo esta Igreja “una” na Igreja católica.
Atenção: não há uma só palavra do que vai acima que não tenha sido extraída de documentos do Concílio Vaticano II. O que está em preto e itálico é uma alusão à notificação da própria Congregação sobre o livro Igreja, Carisma e Poder, de Leonardo Boff, que, contrariando a doutrina imutável da Igreja — reafirmada, como se vê, pelo Concílio —, não reconhecia a Igreja Católica como a herdeira de Cristo.
Terceira questão: Porque se usa a expressão “subsiste na”, e não simplesmente a forma verbal “é”?
Resposta - O uso desta expressão, que indica a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja católica, não altera a doutrina sobre Igreja; encontra, todavia, a sua razão de verdade no facto de exprimir mais claramente como, fora do seu corpo, se encontram “diversos elementos de santificação e de verdade”, “que, sendo dons próprios da Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica”.
“Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades separadas, embora pensemos que têm faltas, não se pode dizer que não tenham peso ou sejam vazias de significado no mistério da salvação, já que o Espírito se não recusa a servir-se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja católica”.

As aspas que aparecem acima pertencem a documentos do Concílio Vaticano II. As do primeiro parágrafo estão no próprio texto Lumen gentium, que segue de guia a estas respostas. As do segundo parágrafo foram extraídas do documentoUnitatis redintegratio. É uma estupidez dizer que se estão fechando as portas do ecumenismo. É mentira, como se vê acima. O papel, a importância e a comunhão de valores espirituais das “Igrejas e Comunidades separadas” são reconhecidos. Mas a Igreja de Cristo, reitera a Congregação, é a Católica. Ora, é uma bobagem, uma hipocrisia, achar que essa avaliação poderá mudar algum dia.
Quarta questão: Porque é que o Concílio Ecuménico Vaticano II dá o nome de “Igrejas” às Igrejas orientais separadas da plena comunhão com a Igreja católica?
Resposta - O Concílio quis aceitar o uso tradicional do nome. “Como estas Igrejas, embora separadas, têm verdadeiros sacramentos e sobretudo, em virtude da sucessão apostólica, o Sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais continuam ainda unidas a nós por estreitíssimos vínculos”, merecem o título de “Igrejas particulares ou locais”, e são chamadas Igrejas irmãs das Igrejas particulares católicas.
“Por isso, pela celebração da Eucaristia do Senhor em cada uma destas Igrejas, a Igreja de Deus é edificada e cresce”. Como porém a comunhão com a Igreja católica, cuja Cabeça visível é o Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, não é um complemento extrínseco qualquer da Igreja particular, mas um dos seus princípios constitutivos internos, a condição de Igreja particular, de que gozam essas venerandas Comunidades cristãs, é de certo modo lacunosa.
Por outro lado, a plenitude da catolicidade própria da Igreja, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, encontra na divisão dos cristãos um obstáculo à sua realização plena na história.

Todos os parágrafos acima foram extraídos do documento Unitatis redintegratio, do Concílio Vaticano II. Até aqui, vê-se, muito barulho por nada. As igrejas orientais são “igrejas” porque unidas à Católica pela prática do sacerdócio, pela sucessão apostólica e pela eucaristia. Mas, aí, fazendo alusão (último parágrafo) a um documento da própria Congregação para a Doutrina da Fé, observa-se que são “lacunosas” porque a catolicidade há de ser governada pelo sucessor de Pedro. E o sucessor de Pedro, segundo a Igreja Católica — vejam só que escândalo!!! — é o papa.
Quinta questão: Por que razão os textos do Concílio e do subseqüente Magistério não atribuem o título de “Igreja” às comunidades cristãs nascidas da Reforma do século XVI?
Resposta - Porque, segundo a doutrina católica, tais comunidades não têm a sucessão apostólica no sacramento da Ordem e, por isso, estão privadas de um elemento essencial constitutivo da Igreja. Ditas comunidades eclesiais que, sobretudo pela falta do sacerdócio sacramental, não conservam a genuína e íntegra substância do Mistério eucarístico, não podem, segundo a doutrina católica, ser chamadas “Igrejas” em sentido próprio.
O Santo Padre Bento XVI, na Audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ratificou e confirmou estas Respostas, decididas na Sessão ordinária desta Congregação, mandando que sejam publicadas.
Roma, Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 29 de Junho de 2007, Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.
William Cardeal Levada
Prefeito
Angelo Amato, SDB,
Arcebispo tit. de Sila
Secretário

Destaquei o trecho em preto e itálico porque, de novo, refere-se ao texto Unitatis redintegratio, do Concílio Vaticano II, sempre festejado como fonte da chamada guinada progressista da Igreja. Ora, o texto nada mais faz do que explicitar as razões por que a Igreja Católica se considera a única e verdadeira sucessora da Igreja de Cristo — ou, como relembra o texto ao citar a Constituição DogmáticaLúmen Gentiium, a Igreja de Cristo SUBSISTE na Igreja Católica. Reitero: não há qualquer novidade nas respostas. Mas ele também não são irrelevantes.Bento 16 segue firme no propósito de coibir interpretações as mais exóticas que têm sido feitas de textos católicos, sobretudo pelos chamados “teólogos da libertação”. Também ele se mostra partidário de uma convicção que está, com efeito, um pouco fora de moda: as palavras têm sentido. Abaixo, seguem links para textos citados no documento da igreja. Se tiver curiosidade, leia-os. A grande ousadia do papa foi reafirmar a sua fé. Talvez ainda o acusem desse crime.
Links:
Por Reinaldo Azevedo | 
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/igreja-catolica-diz-obvio-gera-protestos-crime-papa-reafirmar-sua-fe/



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Passo-a-passo a REZAR

Passo-a-passo a REZAR
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Wojtyla seguia, assim, o exemplo de santos como Francisco de Assis , Teresa de Ávila e Inácio de Loyolam, que usavam a prática da flagelação.

BENTO DOMINGUES: A CRISE DOS SANTOS

Excelente texto de Bento Domingues, no "Público" de hoje. "Quem, na Igreja, se assustar com alguns cortes nos feriados religiosos deve lembrar-se que em todas as semanas há um domingo", diz, tendo afirmado antes que "cortes ou deslocações de feriados de origem religiosa não devem encontrar, nem da parte dos fiéis, nem da hierarquia, uma oposição muito dura". Na base, está uma concepção cristã que, no fundo, desacraliza o tempo e o espaço. Por mim, sendo a Páscoa sempre ao domingo, só manteria como feriado o 25 de Dezembro. E mesmo o dia de Natal poderia ser transferido para um domingo próximo.

PORQUE HOJE É DOMINGO, DIA DA LIBERDADE



Não existe uma liberdade perdida para sempre nem uma liberdade conquistada para sempre: a História é um entrelaçamento dramático de liberdade e de opressão, de novas liberdades a que se seguem novas opressões, de antigas opressões vencidas, de novas liberdades reencontradas, de novas opressões impostas e de novas liberdades perdidas.



Giacomo Biffi, "O enigma da história e o acontecimento eclesial" (Paulus),  p.19

NO "PÚBLICO": OS EVANGELHOS SEGUNDO JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS


No "Público" de hoje. Realço o que diz Teresa Toldy sobre a diferença entre os tempos actuais e os tempos bíblicos quanto a autoria e consequentemente direitos de autor (final da quinta coluna da primeira página). Daí que falar em fraudes e falsificações não faça sentido quanto à atribuição da autoria a apóstolos, ainda que se deve distinguir as diversas fases da escrita dos textos e as introduções (indevidas) pós-apostólicas, coisa que a crítica textual tem feito com rigor, mais em relação aos textos bíblicos do que a quaisquer outros.

Neste contexto, será ainda de adiantar, por exemplo, que se atribui a Homero versos que são de autoria colectiva, ao ponto de alguns duvidarem da existência do poeta Homero. E que a diferença temporal entre Platão ou Aristóteles e os manuscritos mais antigos que temos das suas obras é maior do que a que diz respeito aos textos da Bíblia. Faria sentido, ainda, uma explicação sobre o conceito de verdade, mentira, falsidade, falsificação, deturpação, etc. na antiguidade. Claro que, com estas e outras considerações, o romance ganharia em verosimilhança e, provavelmente, alguns admiradores académicos, mas perderia em popularidade.

Uma última observação: não podiam arranjar outra imagem para ilustrar a peça?



      «Acontece que a revisora editorial do romance, a Professora Doutora Teresa Toldy, fez no jornal PÚBLICO declarações que [José Rodrigues dos Santos] não posso [pode] ignorar. Tenho o maior apreço pela Professora Toldy, uma Teóloga reputada que, com o seu olho clínico, muito me ajudou a afinar o romance. Mas temos um ponto de divergência relativamente a um conjunto de textos do Novo Testamento que eu considero fraudulentos e ela não» («Uma fraude é uma fraude, no século IV ou no século XXI», José Rodrigues dos Santos, Público, 13.11.2011, p. 52).
      Será que a Professora Teresa Toldy é mesmo revisora editorial? O que é um revisor editorial? Ou será antes revisora técnica? Por vezes, parece que o adjectivo que se lhe segue serve somente, ad cautelam, para distinguir de revisor da CP... Questões a debater.

A METAFÍSICA DAS FRAUDES, SEGUNDO JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS

José Rodrigues dos Santos responde no "Público" de hoje a algumas objecções que Teresa Martinho Toldy tinha posto ao romance e que o jornalista não seguiu. Penso, como a teóloga, que as objecções são sérias, como aliás foi aqui.




Em resumo, para Rodrigues dos Santos, se eu disser que quem me deu um certo livro foi o meu pai, por estar convencido de que realmente foi, e depois vier a descobrir que foi a minha mãe, sou mentiroso. Fraude. Mas não sou. Apenas estava enganado (não interessa o motivo). O que não é verdade - ou então, a mentira - nem sempre é fraude. Pode ser engano.


Quando antes de Copérnico e Galileu se dizia que o Sol andava à volta da Terra, as pessoas estavam enganadas mas não eram necessariamente fraudulentas. Ora, a Terra tanto anda à volta do Sol agora como andava quando se dizia o contrário. Eram todos fraudulentos? Ele que tire as conclusões.


Para mais, de facto, dentro das concepções que tinham, os cristãos recusaram imensos evangelhos como não canónicos - chamemos-lhe fraudes. Ler alguns destes evangelhos - estão publicados -ajuda a perceber como a escolha da Igreja foi acertada.


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http://olamha-batheworldtocome.tumblr.com/tagged/blogue-pessoal Quem Sou Eu? Sou judeu sefardita e… Sou católico, apostólico, romano/ortodoxo e monárquico (como Salvador Dalí, https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Grande_Masturbador). Também, católico calvinista, florentino, renascentista, aristotélico-tomista e pessimista…. logo ateu/agnóstico/humanista. Acrescento, epicúrio e do Real Madrid e do Futebol Clube do Porto. Ecologista não fanático, vegetariano muitas vezes não praticante, flâneur infatigável, anarquista de direitas e de esquerdas (sinistras) e “frívolo”, mas não superficial.

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